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Para a blogagem coletiva proposta pelo Nando Damázio e Nana
Fumei dos 25 aos 31anos, jamais atingi 15 cigarros ao dia, o Hollywood; quando ansioso o normal mediava 10. Era um luxo só, elegante, fino trato, altamente recomendado nas altas rodas. Nas médias e nas baixas também era um must. Um companheiro para os momentos difíceis. Capaz de permitir abstrações.
Um dia arpoei uma tartaruga marinha, tempo em que ninguém cogitava de meio ambiente, ecologia e etc. Como fazia com outros habitantes do mar foi levada para a casa da namorada junto com peixes e lagostas daquele dia. Ao abri-la para retirar as carnes, resolvi examinar detidamente os pulmões. Rosados, limpos sem qualquer mancha espúria. Lembrei-me de pulmões de cadáveres do Instituto Anatômico, cuja origem em geral era de mendigos – de pulmões enegrecidos pelo fumo e pela poeira e gases tóxicos das ruas e avenidas - que me causaram espécie quando os estudei. Tartaruga e ser humano, um do mar, de ar mais límpido e outro da terra já bem poluído pela industria vicejante...
Continuava a fumar. Certo dia lendo uma revista de Clínica Médica deparei-me com um estudo estatístico sobre câncer de pulmão, num período de 15 anos nos Estados Unidos. Mostrava ligeira diminuição da doença em homens, algo como oito por cento, em função do combate que o governo havia iniciado, e o surgimento dela nas mulheres que em busca da independência econômica foram parar em grande quantidade no mercado de trabalho. No meio médico a queda entre os homens foi em torno de trinta e cinco por cento, porque estes em contato com os doentes que morriam em suas mãos devorados pelo câncer de pulmão vendo com seus próprios olhos botaram as barbas de molho, abandonando o vício, sem qualquer simpatia, promessa, acupuntura, substitutivo e outros engodos. E houve aumento drástico entre as mulheres médicas, que na sua maioria era ginecologista, obstetra, pediatra, dermatologista, em função do estresse emocional no envolvimento com os dramas de seus pacientes, que raramente eram acometidas pelo carcinoma pulmonar.
Lia e refletia – era estatística de pesquisas em vários estados do país, promovida por várias universidades, sabia-se da seriedade delas. Foram alguns milhões de habitantes os objetos da pesquisa. Pensei ao acabar a leitura atenciosa: - em face desta demonstração a qual não tenho meios para contradizer, não sendo um idiota, tendo uma cultura especializada no ramo da saúde, em face do conhecimento reportado, se sou inteligente é o momento de entender que o “amigo” vai matar-me sem dó nem piedade, pau nele.
Firmei meu compromisso particular, parei de fumar de estalo. E quando surgiu no mesmo dia o desejo de dar uns tragadas, simplesmente não tirei o maço de cigarro do bolso. Permaneci com ele sempre em bolso de camisa ao meu alcance, debaixo do nariz, tirava um cigarro quando um filante pedia. Ficava em rodinhas com vários fumantes. Tomava cafezinho com eles ou sozinho. Não me permiti discutir comigo a situação. Não havia dilema. Tinha parado de fumar e pronto. Jamais tive recaída. Resolvi aplicar o dinheiro que economizava, na compra de lotes de terrenos em loteamento de médio valor e ao longo de 35 anos consegui três. Mesmo comprados em tempo curto foram financiados pelo dinheiro de cada maço com seu ingresso a longo prazo cuja contabilização continua até hoje. Ficam juntos de uma chácara de minha propriedade, e são sempre mostrados quando o assunto é o malfadado, nauseabundo e matador cigarro, e não utilizados com construções albergam muitas árvores e arbustos frutíferos seqüestrando carbono (para sua utilização), liberando oxigênio para todos nós. O mesmo acontece na chácara.
Venho fazendo minha parte, porque o oxigênio que se produz nos terrenos sobra para outros.
Adendo Vencer a abstinência Para quem deseja parar de fumar, há diversos tratamentos e centros de ajuda. Entretanto, o ingrediente principal da fórmula para se livrar do vício é a força de vontade - e desejo de viver, afinal para quem fuma, o tempo de vida é curto. Você já ouviu falar na crise de abstinência de quem pára de fumar - o conjunto de sensações desagradáveis provocadas pela ausência da nicotina no organismo. Isso dura dois meses ou mais - perceba o sofrimento que o indivíduo causa para si mesmo ao entrar para o "clube" dos fumantes. Passado esse tempo, a chance de largar o vício aumenta. Ao ficar sem fumar, o organismo já dá sinais de agradecimento: Nos primeiros 20 minutos, a pressão arterial volta ao normal e os batimentos cardíacos também. Após duas horas, a nicotina sai da circulação sanguínea e as veias e artérias voltam ao diâmetro normal. Dois dias sem tragar a fumaça do cigarro, acarretam a recuperação do paladar e do olfato - o fumante perde grande parte desses sentidos. Depois de uma semana, a capacidade respiratória aumenta bastante, cerca de 30%. Em um ano, diminui o risco de doenças cardíacas. O organismo se recupera por completo depois de 15 anos sem fumar.
*Mariana Aprile é estudante de biologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie e bolsista do CnPq.

Escrito por Dácio Jaegger às 10h07
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