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No blog Luz de Luma havia deixado um comentário que lhe agradou; pediu-me autorização para publicá-lo como post. Pedi-lhe autorização para editá-lo, concedida. E tive o prazer de lê-lo no blog da Luma. Dezenas de seus amigos leitores aprovaram. Resolvi trazê-lo para cá.
Carta à Luma
Você que é preocupada com a poluição ambiental e abnegada na defesa do meio ambiente, escrevo-lhe para afirmar que estamos com vc e não abrimos. Será que todos falamos a verdade sobre o que praticamos em prol da natureza vilipendiada, escrachada e arrasada? O lixo é universal e milenar; era antes orgânico, nossa espécie só desprezava sementes, penas e pêlos, casca de ovos e ossos e etc; alinhava-se ao natural. Nos primórdios, o homem que gastava energia contida no alimento cru passou a queimar madeira para a cocção. Sedentarizou-se e aliou-se à energia do animal para os trabalhos no campo. O lixo integrava-se ao lado do homem, nas tribos e nos ajuntamentos e ficava para trás quando os aglomerados eram errantes. Sambaquis, no Brasil em torno de 900, são os depósitos de restos ósseos e conchíferos e algumas ferramentas de pedra que nossos selvícolas soterravam com areia do mar. Ainda agora, em Santa Catarina, na duplicação da BR um desses foi encontrado com três camadas de idade, sendo que a inferior remontaria a cinco mil anos. Estuda-se sua cultura praiana por estes restos arqueológicos. Se bem que já foram achados sambaquis a 90 km do litoral. Como? O nosso Atlântico tinha suas margens por lá. O lixo não natural apareceu quando o homem descobriu como fazer utensílios de cobre, estanho, bronze, e ferro. Dele, muito chegou a nós arqueologicamente. O vidro, o alumínio, o aço, vieram se somar. Também os plásticos. O betume da Judéia (piche), do petróleo aflorado na terra, alimentou lâmpadas e tapou frestas de madeira permitindo aos cargueiros e barcos de guerra navegar e aumentar o lixo. O piche, que já foi lixo hoje asfalta nossas estradas. Era o petróleo dando as caras; ultimamente os plásticos dele derivados lotam a superfície terrestre. Nem as Galápagos escaparam, tão distantes estão da costas da América doSul. A população cresceu, o homem medieval europeu se aliou aos energéticos moinhos de vento e rodas d´água. Suas marinhas mercantes e de guerra derrubaram metade das florestas para construção de barcos. Quanto lixo! Não bastou, surgiu o alto-forno a carvão vegetal, já no século XIV, para fabricar implementos agrícolas que proporcionavam maior produtividade. Para alimentar os alto-fornos, as florestas européias foram exterminadas quando então o carvão mineral, um recurso esgotável, substituiu o vegetal. O lixo aumentando e na Ásia atrasada sobravam as matas. "As Américas desconhecidas tinham seu lixo particular, ainda orgânico, menos pelos astecas, maias e incas, com seus tecidos pintados e artefatos de prata e ouro." Que luxo de lixo! As cidades européias eram imundas com esgotos a céu aberto; nas vielas, mijo e fezes eram atiradas por portas e janelas com restos de comida e trapos e objetos manufaturados, o que propiciou doenças terríveis, as ditas pragas; e nos passaram os descuidos com o lixo. Só no Mediterrâneo, são milhares de restos de embarcações em seu fundo. A Índia de hoje com 1.1 bilhão de habitantes ainda joga cadáveres crus, cozidos e transformados em cinzas em rios sagrados, enquanto milhares de nativos "limpam-se" nas suas águas; lixo? 250 milhões de pessoas (duas Nigérias), vivem em miséria extrema nas ruas e estradas, são os de fora do sistema de castas, os intocáveis. Porém tem também o 5º bilionário do mundo com 23,5 bilhões de dólares de patrimônio siderúrgico. Os países do G-7 e vizinhos produzem mais de 300 milhões de toneladas de resíduos, desde pneus, plásticos e baterias até restos eletrônicos e nucleares. O que fazem? Através de máfias exportam para países da África, da Europa Oriental e da Ásia, comprando governantes. O Greenpeace denunciou de 1998 a 1999 o descarregamento de 100 mil toneladas de lixo na Índia. Nos EUA, 20 milhões de computadores viram sucata anualmente. A China recebeu velhos computadores norte-americanos, na esperança de reaproveitar os componentes. Feliz como pinto no lixo, produziu lixo do lixo. Aqui tentaram nos impingir toneladas de pneus usados através "deputoados" federais. Gorou graças a ambientalistas. A China depende de carvão para movimentar dois terços da sua máquina industrial e rapidamente se transforma no principal emissor de lixo aéreo, gases nocivos da queima do minério. Divulgadas pela primeira vez também em março, as estatísticas do setor mostram que a China consumiu 2,5 bilhões de toneladas de carvão em 2006, 9,3% acima do consumo de 2005. A meta de redução de 4% ficou longe. Haja pulmão que ajude a fazer a limpeza da atmosfera, retendo as impurezas em si mesmo; sobra para os povos vizinhos o resto sobe, para ajudar no aquecimento global; neste item tomou a liderança que pertencia aos EE UU. Em boa hora o drástico controle de natalidade chinês aconteceu; estão com cerca de 1,3 bilhão de pessoas que será ultrapassada em população pela Índia nas próximas duas décadas. E se não tivesse havido? A China será o primeiro país a sucumbir à tragédia que se avizinha? Em que pese todo o "avanço tecnológico" que lá se alardeia. É o canto do cisne? Lembremo-nos dos milhões de terráqueos que estão morrendo de fome e inanição na África, de um modo geral, na Índia e América do Sul, de forma especial. Populações de milhões de pessoas que tem seus esgotos "in natura", lixo doméstico, comercial e industrial jogados nos rios Guaíba, Paraná, Tietê, Paraíba do Sul, São Francisco, Amazonas e todos os outros, Baias de Todos os Santos, Guanabara, Sepetiba e da Ilha Grande esperam o quê? E o lixo atômico, quem sabe dele? Já não há lugar para toda a população que se acotovela no planeta. De nossa parte, CONTROLE POPULACIONAL JÁ! E todo o tipo de condução decente que queremos e que poucos praticam. / Beijo
Dácio Jaegger
Atualizado o Crys e Dácio em parceria poética em 27-06. Vamos lá? Clique ali!
Escrito por Dácio Jaegger às 18h11
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